A produtora Dinastia Sabah apresentou a segunda edição da pesquisa "Os Bastidores do Hip Hop", um estudo inédito que analisa a atuação profissional de artistas e agentes culturais ligados aos quatro elementos do Hip Hop (Rap, DJ, Graffiti e Breaking) em diversas regiões do país. A nova edição, lançada em 2025, amplia o olhar iniciado entre 2020 e 2021, quando o foco era compreender os impactos da pandemia no setor.
O levantamento foi realizado por meio de um questionário online com 22 perguntas, respondido por artistas de 15 estados brasileiros. O estudo contempla realidades de capitais, cidades do interior e regiões metropolitanas. Os resultados foram apresentados em um seminário e agora estão disponíveis em formato de eBook gratuito. Baixe aqui.
Entre os dados revelados, um ponto marcante é que 60% dos artistas afirmam não conseguir viver exclusivamente do Hip Hop, recorrendo a outras fontes de renda para sustentar suas atividades. A pesquisa também destaca que boa parte dos projetos acontece de forma independente, em batalhas, saraus e shows do circuito underground.
“O Hip Hop é minha profissão e meu estilo de vida, mas até chegar aqui enfrentei muitas dificuldades estruturais. Este estudo é uma ferramenta potente para artistas, produtores e agentes do mercado cultural”, afirma Ju Dorotea, artista e pesquisadora que coordenou o grupo de trabalho da pesquisa.
Os resultados ainda evidenciam como o território impacta as trajetórias artísticas: 42,1% dos participantes atuam no interior e 57,9% em capitais ou regiões metropolitanas. Mesmo assim, um em cada três artistas considera mudar para o eixo Rio–São Paulo em busca de melhores oportunidades, refletindo o contraste entre a força das cenas locais e a concentração de investimentos nos grandes centros.
Com alto nível de detalhamento, o estudo traz informações sobre fontes de renda, cachês, tecnologias, tendências e aspectos emocionais de quem vive a cultura urbana no país. Realizado pela Dinastia Sabah, o projeto foi contemplado pelo edital Pró-Carioca, da Prefeitura do Rio de Janeiro, por meio da Secretaria Municipal de Cultura.
“Nossa proposta é que ‘Os Bastidores do Hip Hop’ se torne uma ferramenta de referência para gestores, pesquisadores e profissionais do setor. Consolidar dados e escutar quem está na base é essencial para fortalecer o Hip Hop como setor artístico e econômico no Brasil”, finaliza Ju Dorotea.