A nova animação nacional da
Netflix, "Super Drags", estreiou na última sexta-feira (09) e, definitivamente, não é para crianças.
Donizete, Ralph e Patrick são três amigos gays que trabalham juntos e, quando a comunidade LGBT+ precisa deles, se transformam nas drag queens
Scarlet Carmesim, Safira Cyan e Lemon Chiffon para combater os vilões.
Confira o trailer:
https://www.youtube.com/watch?v=_h0mrndA2fU
A
Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) repudiou a animação em julho, antes mesmo de estrear, ao afirmar dos perigos “de se utilizar uma linguagem iminentemente infantil para discutir tópicos próprios do mundo adulto”. Diante disso, a produção deixou claro a classificação indicativa para maiores de 16 anos. Apesar dos comentários, as séries animadas com teor adulto já são referência no
streaming como
Big Mouth e
Bojack Horseman, cujos temas são retratados com delicadeza e maestria.
Com um humor ácido e exibição sexual explícita, os protagonistas demostram características bem diferentes entre si a fim de representar a diversidade dentro da comunidade LGBT. Embora haja algumas questões exageradas e estereotipadas, é fácil se prender com as piadas. Além disso, não só estar atualizado nas gírias brasileiras e memes da internet, como também ter o mínimo de conhecimento sobre cultura pop e as terminologias LGBT são quase que essenciais para assistir e se deliciar com
Super Drags.
A partir do primeiro episódio já é notório a forte presença de críticas sociais, políticas e religiosas. As personagens ao longo da série sempre tentam expor reflexões e lições de moral a partir de um tema específico. Para
Patrick, os padrões opressores de beleza; e para
Ralph, a luta que os filhos sofrem ao contar para os pais sua orientação sexual e identidade, a ponto de ser expulso de casa. Apesar de ter apenas cinco episódios com média de 25 minutos cada,
Super Drags consegue educar e transmitir um acolhimento a quem assiste ao introduzir assuntos emblemáticos. Um dos episódios que mais chama atenção é o terceiro, "Cura Gay", que fala um pouco do extremismo religioso e o direito de ir e vir que deveria ser universal, porém na prática não é bem assim.
Um incômodo que não interfere muito para a continuação da trama são os nomes dos personagens que, em sua maioria, são americanizados. Uma das poucas produções brasileiras no
streaming traz pouca voz para a identidade nacional, apesar de todas as gírias do país.
Um dos destaques da animação é a dublagem brasileira:
Pabllo Vittar dá voz à diva pop
Goldiva, além de cantar a música de abertura "
Highlight"; Sérgio Cantú dubla
Patrick,
Fernando Mendonça, Donizete e Wagner Follare faz a voz de
Ralph. Para os coadjuvantes,
Silvetty Montilla brilha como
Vedete Champagne,
Rapha Vélez como
Lady Elza e
Guilherme Briggs como
Robertinho. Na versão em inglês, os fãs de
RuPaul's Drag Race vão amar!
Ginger Minj, Shangela, Trixie Mattel e
Willam Belli fazem parte do elenco de dublagem.
https://www.youtube.com/watch?v=nCpMB8P5kXs
Criada por
Anderson Mahanski,
Fernando Mendonça e
Paulo Lescaut, Super Drags traz referências às animações de infância como
Meninas Superpoderoras (até mesmo a identificação visual das heroínas) e
Três Espiãs Demais. Um roteiro bem encaixado do início ao fim, a série consegue apresentar todos os personagens e suas características impostas inclusive nas suas vestimentas de drag.
Lady Elza causa um pouco de desconforto por não explicarem exatamente sua motivação como vilã e apresentar uma proposta meio clichê. No entanto, o final traz um gostinho de quero mais e deixa um ar ansioso para a segunda temporada. Faz esse favor né,
Netflix?
