Elza e Garrincha na Itália (Foto: reprodução / Instagram)[/caption]
A icônica “Maria da Vila Matilde” representa a resistência de Elza. A música canta sobre a conscientização da violência doméstica, a respeito da criminalização disso. As frases “você vai se arrepender de levantar a mão pra mim” e “vou ligar para o 180” são como gritos de socorro. Ouça:
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Fadada ao fracasso, a cantora estava fazendo show em circos humildes do interior de São Paulo, nos anos oitenta. Elza estava de novo passando por dificuldades. Ela precisava alimentar o filho (Garrinchinha). Em meio à separação do então companheiro Garrincha e às turbulências, a musa brasileira pensou em desistir enquanto Caetano Veloso a tentava convencer a não fazê-lo. No encontro, a dupla se fortaleceu. O atleta, por sua vez, faleceu de cirrose um ano após o conflito, em 1983. Já em 1984, “Língua” foi gravada pelos representantes da música popular brasileira. A mãe e artista havia perdido o homem abusivo e ganhado mais um bom amigo.
Hoje, a empoderada Elza da Conceição Soares continua quebrando paradigmas e preconceitos. A artista está lançando o segundo álbum inédito da carreira, nomeado “Deus é mulher”. O porquê do título ela mesma explicou de forma simples no programa de entrevistas do apresentador Pedro Bial, na última terça-feira (19): “deus é uma mulher, uma mulher negra”.
Além do novo trabalho, o jornalista Zeca Camargo está escrevendo a biografia da cantora. Ele declarou já estar nas últimas décadas de história de Elza, com mais de um ano de entrevistas com ela. Segundo o escritor, será uma narrativa sob a perspectiva e memória dela e o único pedido da rainha rouca foi não ser tido como uma mulher inocente, “boazinha” ou “santinha”. Em relação ao relato sobre o polêmico caso amoroso, a artista declarou não gostar de ser tratada como ‘a esposa de Garrincha’:
“Eu não preciso ser mulher de Garrincha para ser Elza Soares”, declarou potente. E ainda completou a fala de Zeca: “Eu sou uma mulher com todas as vontades, com todos os desejos, muitos defeitos. Quero gritar a minha negritude à vontade, quero gritar que sou mulher de verdade”.
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A incrível Elza Soares no “Conversa com Bial” com o apresentador e o jornalista Zeca Camargo (Foto: Ramón Vasconcelos/ Globo)[/caption]
As novidades não param por aí! Um musical em homenagem à ela se aproxima no Rio de Janeiro. No teatro Riachuelo, no Centro da cidade, as apresentações feitas apenas por mulheres estreia no dia 19 de julho, com datas até setembro. A diva negra será valorizada pelo repertório artístico com direção de Duda Maia, Pedro Luís e texto de Vinicius Calderoni. O MUSICAL ELZA terá no elenco Janamô, Julia Dias, Késia Estácio, Khrystal, Laís Lacôrte, Larissa Luz, e Verônica Bonfim. Compre ingressos aqui.
No Ceará, Elza tratou de animar o público e recebeu um ‘parabéns’ incrível dos fãs. O show no festival Vida&Arte foi no palco Rachel de Queiroz na noite de ontem às 20h, prestes a completar mais um ano de vida. A apresentação foi repleta de protestos feministas, de causas LGBTQ e antirracismo, além das manifestações políticas com muito samba e MPB. Segundo ela, “A voz e a máquina”, lema do ensaio, é um “tapa na cara”.
O que não é nenhuma surpresa, porque a Elza Soares já é uma manifestação de luta, força e poder. A fome, as mortes, o relacionamento abusivo, os filhos, a carreira, o feminismo e a negritude brigavam entre si para ver quem fazia mais parte dela. Mas, no fim, a mulher negra renasceu de si mesma e resistiu às dificuldades. “Deus há de ser” mulher, deusa Elza.
Ouça “Deus há de ser”:
https://www.youtube.com/watch?v=5TR-LISwDCo